Categorias: Experiências, Gravidez

A história da Lulubinha – Parte 1: A Descoberta Inusitada

Não era um dia comum. Minha menstruação estava atrasada um dia apenas e eu tinha um motivo de esperança. Marcamos um jantar no shopping. Fiquei esperando o André em um sofá, sem nada para fazer. Lembrei que no shopping tinha uma farmácia. Num impulso, desci a escada rolante e entrei : ”Quero um teste de gravidez, por favor”. Comprei. Fiquei olhando para sacola , e ela olhando para mim. Eu pensava sozinha: “Não vai dar nada mesmo…lembra como demorou da outra vez para vir o Rafael?” ; “ Espera atrasar mais um dia, para ter certeza do resultado”; “ Melhor fazer logo, ver logo o negativo, e pronto !  acaba logo de vez com essa ansiedade”.

No meio desse turbilhão, uma força estranha me empurrou para dentro do banheiro. Isso mesmo, banheiro do shopping. Escolhi uma portinha de cabine aleatória. Afinal de contas, eu ia acabar com aquilo em segundos, pois ia dar negativo com certeza. Minha ansiedade ia baixar, eu poderia voltar a minha vida normal. Simples e rápido. Li as instruções cuidadosamente (como se já não soubesse de o passo a passo…). Fiz o que tinha que fazer e fiquei lá sentada em cima do vaso. Esperando. E tapando o buraco do resultado para não me antecipar. Tinha certeza que ia dar uma linha só, eu ia jogar aquilo no lixo, higienizar toda meleca que tinha feito, e ir jantar normalmente. Jantarzinho delícia, com um vinho top, e super merecido, após uma dura semana de trabalho. Afinal de contas, era sexta-feira. Esse era o plano original.

Após a espera sentada no vaso sanitário do shopping, decidi olhar para a linha única que ia aparecer. Ela estava lá sim. Mas … Opssss, ela não estava sozinha, tinha uma outra linha ao seu lado, bem forte e bem azul. Eu podia quase ouvir a segunda linha gritando para mim : “Surpresaaaa !!!! Olá, muito prazer, eu sou a segunda linha. E vim bem fortona assim para não deixar você com dúvida”.

Meu coração acelerou e eu queria gritar bem alto. Mas eu estava dentro do banheiro….do shopping !!! Cheio de gente, plena sexta feita a noite. Contive meu grito, mas não o choro. Chorava lágrimas mistas de alegria, surpresa e excitação. Meu corpo todo tremia de pura adrenalina. Não sei quantos minutos fiquei ali. Provavelmente o suficiente para secar as lágrimas e sair de lá tentando disfarçar que nada tinha acontecido. Um disfarce impossível, diga-se de passagem.

Depois do lance todo da higienização, respirar fundo umas vinte vezes, lavar o rosto, e todas essas coisas básicas para recuperação pós-susto, era hora de sair do banheiro. André já tinha chegado. Tinha guardado a tira do exame enrolada com voltas múltiplas em papel higiênico. Cuidadosamente colocada dentro da caixa do teste. Para servir de prova. Como quem comete algo duvidoso, e que deve provar sua inocência. Afinal de contas, tinha certeza que André ia falar que eu estava louca, que um teste assim dentro do banheiro do shopping deve estar errado.

Sai do banheiro com um sorriso no rosto e ainda com as mãos tremendo. Olhei para meu marido e vi de relance flashes do futuro em micro segundos, com nosso sonhado segundo filho correndo e brincando com o irmão. Pensei como amava aquele homem ali na minha frente. Como amava a minha vida, a família e tudo mais que estávamos construindo.

Tentei agir naturalmente, mas você já sabe, foi impossível. Peguei André pela mão e ficamos andando pelo shopping sem rumo, queria achar um banco para sentar. “Preciso te contar uma coisa importante”. Parecia uma caminhada sem fim até achar um banco vazio. Mas achamos e sentamos. Não me lembro exatamente o que falei. Só lembro que não fiquei de rodeios. E complementei: eu acabei de saber. Bem agora, dentro do banheiro daqui do shopping.

Ele ficou espantado. “Como assim você fez um teste de gravidez no banheiro do shopping?” ; “Sim, eu fiz”; “Como isso é possível? onde consegui o teste? ; “ Eu comprei na farmácia e fiz, ué…simples assim “. E eu ria de felicidade e nervoso ao mesmo tempo. Como eu já imaginava, ele disse: “Não, deve estar errado…. você não deve ter lido as instruções do teste direito”. “Eu li direito, e a linha é bem forte e não deixa nenhuma dúvida”. Ele: “Não, você tinha que ter feito em casa com calma, com certeza está errado.”.

Eu não o culpo por essa reação. Era totalmente previsível. Afinal, Rafael tinha demorado dois agoniantes longos anos para ser fecundado, por que agora haveria de ser tão rápido assim ? A conversa continuou, e eu disse: “ guardei a fita de prova para mostrar para você, olha aqui”. Ele olhou e sorriu nervoso. “Cadê as instruções, você seguiu direito?” “Sim, fiz tudo certo”. Olha aí.

Ele precisou de uns minutos para digerir a informação. Quando finalmente caiu a ficha, nos abraçamos e choramos de alegria. “E agora, disse ele? .”E agora o que? Vamos ter outro filho muito amado e esperado” , e ele disse “Sim…” . Mas a gente ainda vai jantar no restaurante? Vamos, ué…

A cabeça só girava pensando no futuro, se seria menina, se seria menino, como eu ia contar pra minha família, pro irmãozinho…. Enquanto viajava nesses pensamentos, olhava Rafael brincar na piscina de bolas do shopping com o pai. (ele tinha chegado com meus sogros). Em seguida, todos jantamos e já contamos de cara para os pais do André.

Infelizmente, para mim, nada de vinho. Tive que ficar com essa emoção no peito e de cara limpa. Brindei feliz com o meu copo de água. Afinal de contas, meu segundo filho(a) estava chegando….

Secretamente, eu confesso que pensava : como eu queria que fosse uma menina…. queira muito. Mas me dizia ao mesmo tempo: “se for outro menino, tudo bem também”. Como eu amo ser mãe de menino !

(aguarde pela continuação da história nos próximos posts).

Autoria: Daniela Figueiredo

2 comentários

  1. Dani,
    Gostaria de te parabenizar por esse projeto lindo. Fico encantada com a forma delicada, sensível e emocionada que você sempre relata suas histórias com a sua linda filha. Certamente é uma forma resiliente e emocionalmente madura de absorver e lidar com os percalços da vida.
    Parabéns querida!
    Grande beijo
    Vivi

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