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Uma história sobre o desafio da alimentação

Um certo dia a Luísa decidiu que não queria mais sugar a mamadeira.

Começamos a dar o leite na colher. Não teve sucesso. Ela aceitava um pouco, mas continuava a chorar muito.

Tentamos de tudo. Minha casa até hoje guarda um estoque infinito de mamadeiras e bicos dos mais diferente tipos. Nenhuma ela queria. Desespero total.

Luísa internou por recusa alimentar. Foi dessa vez que escutei uma médica de um famoso hospital, e que nunca tinha visto a Luísa antes : – “Querida, sua filha é completamente desnutrida. Vamos fazer uma gastrostomia (alimentar-se exclusivamente por uma sonda). Nada contra: Eu faria sem pestanejar. Mas achei precipitado uma pessoa que nunca viu antes a Lulu tomar uma decisão dessa.

Tomei coragem e disse: – “Minha filha não é desnutrida ! Ela tem uma síndrome que você não conhece e não quer conhecer, que caracteriza-se por baixo peso. Até dois dias atrás ela mamava tudo. Ninguém vai fazer nada sem discutir com o pediatra dela” . O pediatra da Luísa é fantástico. Já salvou a Luísa de muitas. Dessa vez não foi diferente.

Ele disse para os médicos do hospital que gastrostomia seria a última opção. Que ele tentaria antes outras estratégias.

Ao oferecer leite especial (sem lactose e com proteína hidrolisada), ela aceitou tudo. Na colher. Comeu tudo raspando o pote. Introduziu papinha salgada: Comeu de lamber os beiços.

Medicina não é uma ciência exata. Nunca vamos entender porque os exames para APLV e intolerância a lactose davam normais. Mas a experiência mostrou que ela aceitava o leite especial muito bem, obrigada .

Só que a tal da mamadeira ela nunca mais quis saber. Só de ver, ela já berrava. Na verdade, a Lulu é muito esperta : Pegou bronca da mamadeira porque tinha um leite que fazia ela passar mal.

Até hoje tudo da Luísa é na colher. Até água. E esse é o menor dos meus problemas.

Essa é uma das últimas fotos que tenho da Luísa mamando.

Uma simples mamadeira me ensinou a ter confiança que sei mais da Luísa e da síndrome dela do que qualquer médico, e que nunca ninguém vai fazer nada na Lulu que eu não concorde.

(Texto originalmente publicado em meu perfil do instagram @sonhodiferente em 03 de maio de 2018).

 

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Bebê por mais tempo

Eu preciso contar um segredinho:

 

É claro que eu gostaria que a Lulubinha crescesse e ganhasse peso normalmente.

 

Mas como não posso mudar isso, pois faz parte da sua condição, confesso que muitas vezes sorrio sozinha por lembrar que ela demora mais a crescer e que posso ter uma bebezinha por mais tempo !

 

Essa cena de agora é bem rara: ver uma camiseta ficando curta nas mangas… acho que minha bebê esticou um bocadin!

 

(Essa blusinha é de 3 meses e Lulu já tem 1 ano e 7 meses. Até outro dia estava boazinha !)

 

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Amor de Pai

 

 

Quase não se fala.

Quase não se escuta.

De tanto que se ouve : “amor de mãe, é amor de mãe ! ” ou algo assim, o amor do pai fica em segundo plano.

Quase um grito abafado.

Um espirro que teima em não sair. 

Quase invisível.

Quase Pepsi: “pode ser ? ” 

Aquela segunda fatia do bolo. Quem sabe o jogador reserva ?

Ou aquele que recebeu o Oscar de melhor coadjuvante?

 É claro que, como tudo na vida, não existe receita de bolo : cada caso é um caso. E tudo bem. 

Mas cá entre nós, tenho visto muitos super protagonistas ou co-protagonistas nesse filme da vida como ela é. 

Pais que passam as noites acordados com o bebê que chora e não dorme.

Pais que jogam o mesmo jogo, brincam de boneca, de carrinho ou contam a mesma história mais de 50 vezes seguidas.

Pais que não desgrudam do leito quando a criança está internada, que ficam sem comer e sem dormir enquanto não melhora.

Pais que nunca deixam o pão de queijo queimar, que nunca esquecem de trazer a melancia que o filho ama. 

Pais que escrevem livros sobre os filhos. 

Pais que lutam pela causa de seus filhos como um lema de vida.

Pais que vivem por eles, “até o infinito e além”.

Pais que criam conexões sentimentais inexplicáveis e lindas de se ver com os filhos.  Amor de pai, é amor de pai. 

Nem maior, nem menor. 

Nem mais, nem menos. 

Simplesmente, amor. 

(Texto originalmente publicado em meu perfil do instagram @sonhodiferente em 23 de abril de 2018).

Autoria: Daniela Figueiredo 

@sonhodiferente