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As mães, o tempo, e o coração

Depois que a gente vira mãe
Muita coisa muda. Você sabe. Todas sabemos.
Mas tem algo que não muda. Ele é sempre o mesmo.
Não importa se você é mãe ou não , ele tem sempre a mesma velocidade.
Isso se chama “tempo”.

Um especialista em física quântica ou alguém nesta esfera te diria isso.
Eu contesto.
Logicamente as leis da física justificam, mas as leis da “vida como ela é” não conseguem explicar.
Porque depois de ser mãe, o tempo toma uma nova dimensão.

Ele toma todo um novo significado.

Se antes dos filhos você achava que não tinha tempo para nada, como é agora com eles ?
Se sobrar uma horinha para as unhas, grite um Amém ! Comemore, minha cara.

Tem a fase que não pode deixar de olhar a criança por um segundo , senão …. tudo pode acontecer.
Você virou para o lado por um mísero instante e o moleque subiu no móvel, bateu na quina e se quebrou todo.
Como foi que ele fez isso em um segundo? você não sabe.

Tem a fase das horas das mamadas.Cada vez um peito. Demanda livre. Você mal deu o direito e já tá na hora do esquerdo. E o que você fez neste intervalo de tempo? Provavelmente nada ou coisas pela metade.
Um sanduíche que você comeu frio, talvez, porque teve que acolher o bebê que estava berrando de cólicas.

Tem as roupas que um dia cabem, e no outro lá estão as calças “pescando siri” e blusas aparecendo barriga.
Como ele cresceu rápido assim?

Tem os minutos que passam a demorar uma eternidade quando eles estão doentes, com dor, ou sofrendo por algum motivo.

Tem o novo medo da morte. Afinal, você queria ter tempo para vê-los casar, construir família , ser avó …

Um minuto atrás a bonequinha da mãmae estava ótima, contente e brincando. Do nada, marcou 38,5 e você não entende nada.

Cada hora de lazer com eles, são pérolas preciosas. Que podem fazê-los lembrar de uma infância feliz e com pais presentes. Tem que ter tempo para planejar ter tempo com eles. Ir ao parque, ao museu, ao zoológico ,a praia,..

A palavra prioridade toma importância absoluta.
Não vai dar para fazer tudo que gostaríamos: isso é fato. Então o que fazemos? Priorizamos.

Escolha rápido: Fazer o cabelo que está horrível ou passar uma tarde no parquinho com os filhos e seus amiguinhos ?
Por isso que muitas vezes as presilhas de fazer coque no cabelo se tornam a nossa fiel escudeira de todos os dias. Ou talvez neste dia não. Só neste dia. Talvez a situação da cabeleira esteja tão feia que o parquinho possa ser negociado para o domingo.

O tempo não perdoa. Ele voa. E nos resta fazer as escolhas.
E sempre vai haver tempo para escutar o coração.

O coraçao das mães nunca se engana.

Ele sofre, coitado. Mas o amor é tanto, tanto, que ele sempre sabe o caminho certo a tomar.

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Nota da autora: me inspirei para este post numa situação que vivi domingo passado.
Em um minuto Luísa estava ótima e contente, posando para fotos com essa roupinha nova e lacinho de florzinha no cabelo. No outro minuto, não me pergunte como, ela descompensou… Mas o coração da mamãe aqui foi ágil nas escolhas e tudo ficou resolvido no mesmo dia. Ela ficou ótima e voltamos para casa aliviados.

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O Apagar das Luzes das Mães

Já eram quase 10.
Um lutava contra o sono. A outra chorava do dentinho nascendo.
Quando terminou o sufoco e os anjinhos dormiram, tudo virou silêncio. Um silêncio profundo.
Já eram 11.
Ela queria ver uma série na TV.
Ela queria ler aquele livro.
Ela queria só fechar os olhos e não pensar em nada.
Ela queria meditar
Ela queria tantas coisas.
Mas lá estavam os últimos e-mails do trabalho para serem respondidos.
A mochila da escola para organizar.
A louça para ajeitar.
As coisas decisivas para conversar.
Os brinquedos para catar.
Os papéis para arquivar e contas para pagar.

Já era meia noite.
Ela deitou e apagou a luz.
Pensou nas coisas que não deu tempo para fazer.
Pensou na logística do dia seguinte.
Fechou olhos.
Mudou de rumo e pensou em Mikonos e nas praias mais lindas que já viu na vida.
Desejou ser teletransportada para lá .
Pensou nos bolinhos de chuva da vovó. Será que lá no céu ela faz bolinhos ?
Pensou nela criança quando montavam um barco de jornal e imaginavam que iam sair velejando mundo afora.
Pensou nos sonhos que ainda tem e que somente ela sabe.
Pensou na época que ela podia dormir sem hora para acordar e fazer maratona de filmes não-infantis.
Estava quase dormindo. Relaxou.
Pensou em como a casa era vazia e sem graça antes deles, os filhos.
Lembrou do sorriso do mais velho.
Lembrou da pequena que aprendeu a rolar com risinho de sapeca.
Lembrou do som e das cores da casa com eles.
Sorriu com os olhos fechados.
Dormiu o sono dos justos.

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Corda Bamba

Eu nunca andei numa corda bamba.

Daquelas de trapezista no circo.

Mas se eu fechar os olhos consigo sentir no fundo da minha alma como deve ser a sensação.

Desde que tive filhos, sinto que ando sobre uma.

Quem anda em corda bamba de verdade deve ter medo de cair. Medo de perder o equilíbrio.

Acho que para a realidade materna, isso poderia se traduzir em:

Medo de não dar conta de tudo.

Medo de algo de ruim acontecer com os filhos

Medo de um dia pifar.

E assim vai.

Mas, apesar do frio na barriga que a corda bamba me dá, tenho aprendido que não vale a pena viver de medos.

Vale a pena viver um dia de cada vez.

Como disse uma vez um grande cara: “É preciso amar as pessoas, como se não houvesse amanhã. Porque se você parar pra pensar: Na verdade , não há.”

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