Categorias: Jóias raras, Textos e Poesias

Sou Lulubinha

“Sou Lulubinha.
Tenho um ano e um mês.
Sou pequenina do tamanho de um botão.
Uso sapatinho de crochê de recém nascido porque outros caem do meu pezinho.
A moeda é maior que a minha mãozinha.
Minha roupa é de três meses.
Não sou desnutrida. Eu sou assim.
Eu sou única.
Se você não me conhece pode até não acreditar.
Mas quem me conhece sabe que minha força é do tamanho de um gigante.
Minha energia reluz até o infinito. Minha chama continua sempre firme e bela mesmo quando vem a ventania.”

“Você é mais forte do que imagina. Acredite na sua energia”.

Categorias: Rotina com filhos, Textos e Poesias

O Apagar das Luzes das Mães

Já eram quase 10.
Um lutava contra o sono. A outra chorava do dentinho nascendo.
Quando terminou o sufoco e os anjinhos dormiram, tudo virou silêncio. Um silêncio profundo.
Já eram 11.
Ela queria ver uma série na TV.
Ela queria ler aquele livro.
Ela queria só fechar os olhos e não pensar em nada.
Ela queria meditar
Ela queria tantas coisas.
Mas lá estavam os últimos e-mails do trabalho para serem respondidos.
A mochila da escola para organizar.
A louça para ajeitar.
As coisas decisivas para conversar.
Os brinquedos para catar.
Os papéis para arquivar e contas para pagar.

Já era meia noite.
Ela deitou e apagou a luz.
Pensou nas coisas que não deu tempo para fazer.
Pensou na logística do dia seguinte.
Fechou olhos.
Mudou de rumo e pensou em Mikonos e nas praias mais lindas que já viu na vida.
Desejou ser teletransportada para lá .
Pensou nos bolinhos de chuva da vovó. Será que lá no céu ela faz bolinhos ?
Pensou nela criança quando montavam um barco de jornal e imaginavam que iam sair velejando mundo afora.
Pensou nos sonhos que ainda tem e que somente ela sabe.
Pensou na época que ela podia dormir sem hora para acordar e fazer maratona de filmes não-infantis.
Estava quase dormindo. Relaxou.
Pensou em como a casa era vazia e sem graça antes deles, os filhos.
Lembrou do sorriso do mais velho.
Lembrou da pequena que aprendeu a rolar com risinho de sapeca.
Lembrou do som e das cores da casa com eles.
Sorriu com os olhos fechados.
Dormiu o sono dos justos.

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Zelando o seu sono

Eu estou aqui.
Bem ao seu lado.
Zelando o seu sono. Enquanto o meu não vem.
Eu sei que você sabe que estou aqui. Eu sei que aqui não é a sua casa.
Eu sei que você quer ir pra casa. Eu também.
Saudade de você de dengo.
Saudade de ninar você.
Saudade da nossa casa com você nela.
Sem você, a casa não tem cor.
Sem você, a casa é vazia.
Sem você, a casa fica triste.
Falta um pedaço da casa .
Falta um pedaço de mim.
Falta um pedaço de nós.

Falta pouco, Lulubinha. Já vamos pra casinha, meu amor.

Texto:Daniela Figueiredo. Blog Um Sonho Diferente.
Para mais textos siga meu Instagram: sonhodiferente.

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