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Ser forte é a única opção? 3 motivos para discordar

Quando começaram a aparecer os primeiros indícios de que poderia haver algo de errado com a Luísa, é claro que entrei em desespero como já contei aqui. Essa é a segunda fase do processo de superação de um “luto”, como também já contei no post que escrevi para o Macetes de Mãe, sobre reconstrução de sonhos. Para ler, clique aqui.

A primeira é a fase da negação. Mas essa não existiu para mim. Sempre tive meus pés fincados na terra. Fiquei algum tempo na fase dois, a do desespero. Mas não tanto assim.

Depois fui para terceira fase, que é aquela de barganhar e tentar se conformar com a situação. Também chamada de negociação, exploração de alternativas. Nessa terceira fase, ai sim, eu fiquei bastante tempo. Um longo tempo. Na verdade acho que ainda tenho um “pezinho” nela. Passei por várias fases dentro da fase. Tipo fases secretas de games. Você entra numa e nunca sai porque dentro dela tem varias subfases escondidas.

Primeiro eu pensava e dizia a todos em alto em bom tom: ” Tenho que ser forte, porque essa é a única opção que eu tenho.” Em geral as pessoas concordavam. E tudo certo. Esse foi o primeiro mantra de todos que eu criei.

Com o tempo, vi que esse mantra não soava mais tão bem quando eu o pronunciava. E mudei radicalmente de fase. Matei o monstro do castelo da subfase e fui transferida para a próxima fase secreta. Ou seja, mudei totalmente a minha forma de pensar.

Sabe Porque? Esse mantra de ser forte como única opção, ao meu ver, não é verdade absoluta. Tem lá o seu valor, mas tem três pontos nele que eu descobri que eu discordo e conto abaixo para vocês:

 

1 –  Ser forte não é a única opção. Existem outras opções. Eu poderia ter me entregue à tristeza, como ocorre em vários casos. Muitos escolhem isso. Outros não escolhem, mas por falta de saber onde procurar ajuda, não sabem como sair dela.

2 – Ser forte é relativo. Vai ter dias que eu vou estar com Ultra Hiper Mega poderes. Tipo Mulher Maravilha. E vai ter dias que eu vou querer chorar. E tudo bem. Ainda sou um ser humano. Com direito a fraquejar de vez em quando. Não vou me cobrar ser forte 100% do tempo, 100% dos dias. Mas sim, vou tentar saber a hora de levantar quando preciso.

3 – No meu ponto de vista, não se trata de opções. Prefiro a palavra escolha. Eu escolhi o amor pela minha filha. Aliás, muito mais do que isso. Eu escolhi o amor pela minha vida, o amor pela pessoa que sou, o amor pela minha família. Eu escolhi ser feliz. E você?

Ainda bem que temos o poder de nos transformar e mudar de opinião todos os dias. Isso se chama evolução. E você ? Já mudou de opinião radicalmente alguma vez? Conte aqui como foi.

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Grande beijo, Daniela Figueiredo.

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Sou Lulubinha

“Sou Lulubinha.
Tenho um ano e um mês.
Sou pequenina do tamanho de um botão.
Uso sapatinho de crochê de recém nascido porque outros caem do meu pezinho.
A moeda é maior que a minha mãozinha.
Minha roupa é de três meses.
Não sou desnutrida. Eu sou assim.
Eu sou única.
Se você não me conhece pode até não acreditar.
Mas quem me conhece sabe que minha força é do tamanho de um gigante.
Minha energia reluz até o infinito. Minha chama continua sempre firme e bela mesmo quando vem a ventania.”

“Você é mais forte do que imagina. Acredite na sua energia”.

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O Apagar das Luzes das Mães

Já eram quase 10.
Um lutava contra o sono. A outra chorava do dentinho nascendo.
Quando terminou o sufoco e os anjinhos dormiram, tudo virou silêncio. Um silêncio profundo.
Já eram 11.
Ela queria ver uma série na TV.
Ela queria ler aquele livro.
Ela queria só fechar os olhos e não pensar em nada.
Ela queria meditar
Ela queria tantas coisas.
Mas lá estavam os últimos e-mails do trabalho para serem respondidos.
A mochila da escola para organizar.
A louça para ajeitar.
As coisas decisivas para conversar.
Os brinquedos para catar.
Os papéis para arquivar e contas para pagar.

Já era meia noite.
Ela deitou e apagou a luz.
Pensou nas coisas que não deu tempo para fazer.
Pensou na logística do dia seguinte.
Fechou olhos.
Mudou de rumo e pensou em Mikonos e nas praias mais lindas que já viu na vida.
Desejou ser teletransportada para lá .
Pensou nos bolinhos de chuva da vovó. Será que lá no céu ela faz bolinhos ?
Pensou nela criança quando montavam um barco de jornal e imaginavam que iam sair velejando mundo afora.
Pensou nos sonhos que ainda tem e que somente ela sabe.
Pensou na época que ela podia dormir sem hora para acordar e fazer maratona de filmes não-infantis.
Estava quase dormindo. Relaxou.
Pensou em como a casa era vazia e sem graça antes deles, os filhos.
Lembrou do sorriso do mais velho.
Lembrou da pequena que aprendeu a rolar com risinho de sapeca.
Lembrou do som e das cores da casa com eles.
Sorriu com os olhos fechados.
Dormiu o sono dos justos.