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História da Lulubinha: Parte 4 – “Pode ser uma bebê PIG…”

Depois do primeiro “poderia ter algo errado” (leia aqui a parte 3), procuramos uma segunda opinião. Marcamos uma ultrassonagrafia com outro médico importante aqui no Rio. Sabíamos que o primeiro não estava errado, pois é uma fera no assunto. Ainda assim quisemos escutar de outra pessoa.

Solicitei encaixe. Expliquei a urgência e consegui. Chegamos lá aflitos. Ao mesmo tempo em que víamos famílias comemorando a alegria de ver seu filhote em 4D, nós estávamos lá por algo muito mais sério. Não tinha espaço para aqueles tantos sorrisos. Foi a primeira lição de como uma sala de espera pode ser dolorosa.

Finalmente chegou a nossa vez. Explicamos o ocorrido:  “- Ela está pequena demais, Doutor”. “Fiquem calmos – Ele disse – Eu vou rever todas as datas e vamos tentar esclarecer”. Com a maior calma do mundo, e a menor pressa, ele revisou todos os exames anteriores. Checou várias vezes a data da última menstruação, as datas das ultrassonografias anteriores, e as idades gestacionais. Ele tinha uma pequena esperança de alguma data estar incorreta, e a Luísa ter menos tempo de gestação do que se pensava, e então ela não estaria tão pequenina assim.

Mas infelizmente não era o caso, todas as datas estavam corretas. Ele fez até uma cara de triste ao olhar aquela tabela que tinha montado com as datas, e não ter achado nenhum erro nelas.

Então ele começou a perguntar com quantos quilos eu nasci, o André nasceu, o meu primeiro filho, e de alguém mais da família que eu soubesse que poderia ter nascido bem pequenino. Opa… ! Ai sim tinha alguma esperança. Eu nasci de 9 meses e 2.900 kg, minha tia com 2.100 kg,  minha prima com 2.300 kg. E mais algumas novas histórias que surgiram.

O médico fez um gráfico no computador, e viu que se a Luísa continuasse no ritmo que estava, e nascesse de 40 semanas, ela nasceria com 2.600 kg. Não era um caos total. Ainda havia alguma esperança.

Foi neste dia que escutei pela primeira vez na vida algumas coisas. A primeira foi a palavra bebê PIG.:

– “Vamos com calma, ela pode ser apenas uma bebê PIG “.

– Oi… ??? Peppa Pig ?? – era só isso que meu filho via na TV e a única coisa que me ocorreu.

Então ele me explicou que ela poderia se Pequena para Idade Gestacional – ou seja, PIG. Poderia ser uma questão apenas constitucional dela, e não necessariamente uma patologia. Ela poderia ser somente pequenina.

Foi como um sopro de esperança.

Mas ele complementou: – “Ou não. Há uma série de síndromes genéticas associadas a baixo peso gestacional. Não podemos descartar a possibilidade.

Eu deitei na maca, e ele começou a fazer o ultrasson. Rastreou cada cantinho da Luísa com o aparelho que gera imagens 4D. Viu os pés, as mãos, o rostinho, o coração, os membros superiores, inferiores. Cada parte dela que ele investigava, era como se meu coração saísse do peito de tanta agonia. Nunca vou consegui explicar essa sensação em palavras.

E ele só dizia: Tudo normal. Ela não tem nenhuma má-formação visível pelo ultrasson. Todos os órgãos perfeitos. Normalzinha. Agora vamos para as medições. Ai que morava o perigo. Ele fez várias medições e várias vezes. Ela estava ainda menor já que o ritmo de crescimento dela tinha diminuído um pouco mais.

Ele confirmou o laudo do outro médico. Mas deu alguma esperança de que a Luísa poderia ser apenas “PIG”. No entanto, em nenhum momento descartou que poderia ser anomalia genética. Inclusive disse que deveríamos considerar fazer uma Aminiocentese. Ele preferia a Aminiocentese do que o NIPT (panorama fetal).

Explicou que deveríamos tomar essa decisão de forma consciente, uma vez que a Aminiocentese envolvia algum risco para o bebê, porém era mais precisa. E o NIPT não tinha risco nenhum, era um exame comum de sangue, porém não tão preciso.

Ele também acrescentou:

– “Ou você não faz nada agora, espera nascer. Você já está com 30 semanas”.  “- Você tem que pensar o motivo pelo qual você quer fazer este exame agora. A sua gravidez já está muito avançada”…

Em nenhum momento passou pela minha cabeça fazer uma loucura, desistir da gravidez, desistir da Luísa, desistir da vida dela.

E então ele me contou que tem gente que ao descobrir com a gravidez avançada viaja para outros países para fazer um aborto, uma vez que no Brasil não é permitido. (Sem julgamentos, até porque o post não é sobre este tema bastante controverso.)

Mas eu fiquei em estado de choque, e disse: – Não Dr. , ninguém aqui quer isso. Nem sequer nos ocorreu uma coisa dessas. Mas achamos que seria útil saber antes por dois motivos: Nos preparar psicologicamente, e obter o máximo de informações possíveis agora para que possamos proporcionar as melhores terapias para o caso dela.

Ele acrescentou que estávamos certíssimos. Nos deu o telefone pessoal dele. Disse que poderíamos ligar a qualquer momento. Mesmo de madrugada. Falou algumas palavras carinhosas e de incentivo.

Saímos de lá com muito a decidir. Se fazíamos a Amioniocentese ou o NIPT. Se trocávamos de obstetra ou não. Como contar para família. Mas acho que saímos melhor do que entramos: Ela poderia ser apenas PIG. Como eu já tinha gostado dessa palavra… (aguarde pela continuação).

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A história da Lulubinha – Parte 2: Chá Revelação

Quem me conhece sabe… Sou a ansiedade em pessoa. É claro que eu não ia aguentar ultrasonagrafia de 12 semanas para saber o sexo. Até porque eles às vezes fecham as perninhas, viram de costas e teimam em não querer se revelar para o mundo.

Tive que ter um pouquinho de paciência e esperar “as longas oito semanas” para poder fazer o teste de sangue que permite saber o sexo. É claro que fiz no dia Dia 1 da oitava semana. Ansiosa, eu ? Não, imagina … Mas, como sempre, baseada em dados concretos: “ Se feito a partir da oitava semana, tem 99% de chance de dar certo.”. E lá fui eu colher o sangue de manhã bem cedinho, no dia 1 da oitava semana, antes do trabalho. Esperei aflita por 10 dias para sair o resultado. A partir do quinto dia, já entrava todo dia no site do laboratório para olhar se já tinha saído. É claro que somente com dez dia exatos que o resultado estava lá.

É claro que fiquei tensa e mega curiosa. Mas consegui esperar o André chegar do trabalho para abrirmos juntos. Quando clicamos no link, abre um arquivo. Cheio de informação na parte de cima. Informações essas (meu nome, datas, metodologia do exame, e blá blá blá), que foram devidamente ignoradas naquele momento, pois só conseguia focalizar meus olhos em uma palavra:  “feminino”.

Meu coração transbordou de alegria, eu pulei literalmente, e abracei o André: é uma menina, uma menina, vamos ter um casal, uma menininha….!!!”. Ele também queria menina, e ficou eufórico. Não consegui acreditar. Imediatamente minha mente viajou para um mundo desconhecido, mas encantador de lacinhos de fita, vestidinhos, sapatinhos fofos, cabelos compridos, eu arrumando e fazendo lindos penteados. “Como ela será?. “Com quem vai ficar parecida? ”.  Será que também vai vir com olhos azuis como os do irmão? “Não, acho que ela vai ser mais moreninha, cabelo bem castanho e liso escorrido como o meu (já foi um dia),  e vai ter olhos cor de mel. ” “Será que ela vai ser meiga e fofa? ou uma serelepe que vive correndo agitada? “Será que vai falar coisas engraçadas, assim como o irmão? Será que eles vão ser amigos?

Decidimos fazer um chá revelação. E logo. Pra ontem. Queríamos contagiar o mundo todo com nossa alegria. Para quem ainda não conhece, um chá revelação, é como se fosse um chá de bebê. Porém o objetivo principal é divulgar para a família e amigos, qual o sexo do neném. Muitas vezes os próprios pais também não sabem e cabe a algum amigo(a) o papel de revelar. Obviamente, minha ansiedade não permitiu isso, e no nosso caso, a surpresa era só para os convidados mesmo. Eu mesma pesquisei e produzi sozinha o convitinho virtual, com minhas poucas (ou inexistentes) habilidades de design. Foi um evento bem caseiro, só mesmo para a família, que a mamãe organizou cada detalhe. Os convidados tinham que vir vestidos de rosa se apostassem que era uma menina, e de azul caso acreditassem que era um menino.

Minha casa foi invadida por um mar de cor de rosa. Com um ou outro azulzinho isolado. Quando cortei o bolo, e o recheio era rosa, todos gritaram de alegria. Uma celebração contagiante. Uma família na qual só tinham nascido meninos até então. Minha sogra teve três filhos homens, três netos homens, e minha mãe dois netos homens. E agora vinha uma menina ….Pode-se dizer que todos ficaram nas nuvens. Já tinha gente que comprou o primeiro vestido sem mesmo saber o sexo ainda. Foi uma choradeira só. Choro de alegria é bom demais. Estavamos vivendo um verdadeiro sonho de ter nossa família completa com um casal. Foi um dia lindo e muito gostoso, comemorando com as pessoas que mais amamaos.

Fiquei de olho nos próximos post para a continuação da história da Lulubinha.

Para ler a parte um da história da Lulubinha – “A Descoberta Inusitada” , clique aqui.